COLOMBIA, POESIA E VIDA

Postado por Affonso Romano, em 27/08/2010, às 20:22

          * Jornais dizendo que a situção em  Medellín é terrível. Bandos ligados ao narcotráfico fazem arruaças, ameaçam moradores, cortando a luz, e a Cruz Vermelha resolveu intervir.

            E eu que tenho a medalha de Cidadão de Medellín, dada há uns 18 anos pelo cônsul colombiano no Rio, me confranjo duplamente.

           E no Brasil Medellín estava sendo tomada como exemplo no combate à miséria

 

*Vai chegar aqui a exposição retrospectiva de Man Ray, fotografo inventivo das vanguardas de há cem anos .Vejo algo curioso: uma foto chamada: “Femme araignée”: uma mulher nua em pé, de cujo sexo sai uma enorme teia de aranha...

           Ele pode estar querendo ilustrar uma neurose/psicose, mas pode estar se denunciando. Isto daria uma bela ilustração na parte do CANIBALISMO AMOROSO onde estudo os poemas  de poetas descrevendo o sexo  da mulher como –aranha,abelha, etc.

 

*Na mesma página  um poema de  Ledo Ivo traduzido ao espanhol. Curiosamente, esse poema “Vals fúnebre para Hermengarda” foi um poema que li em Juiz de fora, num livro da Biblioteca do SAPS há  mais de 50 anos, e o sei de cor. Já surpreendi o Ledo, num aeroporto, em que ele ia entrando com a mulher Leda no avião, ao recitar-lhe  o poema.

  

*Experiência curiosa, ir a uma escola de periferia, dezenas ( ou centenas) de crianças numa espécie de escada anfiteatro, e ali três marmanjos poetas para ler poemas para eles.

Olho em torno, as casas pobres e de classe media misturadas. Os alunos todos de uniforme. Que vai acontecer? Afinal, não tenho aqui nessa antologia poemas para crianças?

Chamam-me  primeiro, e decido apelar para  relação entre jogo e poesia e sugiro a eles e aos professores que pensem em como fazer um poema com duas palavras chaves: foi isto que fez Frei Antonio das Chagas num soneto maravilhoso que sei de memória e fui traduzindo na hora enquanto o dizia.

O poeta espanhol Jordi o mexicaon Villareal, leram seus poemas.Villareal fez uma coisa insólita: como tradutor de poesia brasileira resolveu ler para eles  o poema de Drummond: NO MEIO DO CAMINHO. Não deu outra, começaram a rir, como a dizer, essa não!...

Jordi, o espanhol falou-lhes e deu exemplo de como a palavra poétia serve para dizer coisas que a prosa não pode dizer. Quando retomei a palavra conversei sobre “sombras”e li alguns poemas dessa série, que eles poderiam entender.

Ao final, tendo que fechar a sessão, ao invés de ler mais poemas propus que eles falassem poemas de memória.Foi uma alegria, uma farra, um empurrando o outro, até que alguns se aventuraram. Um deles leu um poema de Jaime Ospina, alias, muito bom,  que o próprio Ospina havia lido ontem no Jardim Botânico.

No final uns meninos saíram conversando comigo sobre Ronaldo e Ronaldinho e perguntando quem era o técnico da seleção 


QUASE-DIARIO DO FESTIVAL DE PEREIRA

Postado por Affonso Romano, em 27/08/2010, às 10:53

 26.08.2010. Leitura de poemas no Observatório Astronômico ( Pereira) Cheio  de gente sob a cúpula que remete às estrelas. Aqui a poesia desce redonda. ambiente redondo. Gente pelo chão,  entupindo as portas. Os poetas sentados em meio ao público, fomos lendo os poemas: José Villareal (México), ARS (Brasil), Jose Luis Rivas, e Ledo Ivo.

Fiz questão de falar o IMPLOSAO DA MENTIRA em português, pois as palavras são reconhecíveis  pelos  hisponohablantes “  e o ritmo do poema facilita o entendimento. John Galant, que me traduziu, leu OS  DESAPARECIDOS  em  espanhol. Li mais dois poemas- O SUICIDA e um de O HOMEM E SUA SOMBRA.

                Gostaram. Aplaudiram.

               Ledo Ivo, poeta bem conhecido na América Latina, sempre fazendo sucesso com a leitura de OS POBRES, OS MORCEGOS e o RATO NA SACRISTIA.

A surpresa foi ser abordado antes da entrada por  um leitor chamado Manuel, muito atencioso, que me confessou ter lido em 1992 numa revista colombiana alguns poemas meus. Mais que isto, sabia os poemas praticamente de cor e os foi dizendo. Tão cordial, que acabei pedindo a ele para filmar com minha câmara a cena  dos poetas dizendo poemas no Observatório.

A poesia é assim:  se agarra na memória dos outros fazendo parte de suas vidas.

              Depois mais duas sessões, ainda no Jardim  Botânico, que abriga  o Observatório. A multidão de ouvintes andando pelas alamedas, por entre as árvores até um gazibo onde  outros poetas leram seus textos:  Jose Maria Memet( Chile), William Ospina(Colômbia)  e Jordi Villalonga(Espanha).  Foi uma surpresa a poesia de Ospina, aquele uso típico (latinoamericano), de metáforas surrealistas, meio  nerudiano. Bela a idéia  em um de seus poemas :  as canoas são arvores que se cansaram de ficar   imóveis, de pé.

              A seguir, entardecia: entre as arvores  as pessoas entraram mais adentro na mata, para o Jardim das Tartarugas, e aí Minerva Margarida, (México) Tomaz Gonzáles ( Colômbia) Jean Marc Desgend ( CANADÁ) e Fernando Denis( Colômbia) disseram seus poemas, mas eu e  Ledo já tínhamos regressado ao hotel.


LUNA DE LOCOS: VENDO ESTRELAS

Postado por Affonso Romano, em 26/08/2010, às 12:27

 Como este festival se chama LUNA DE LOCOS,  hoje, 26 de agosto, estarei  falando poemas juntamente

com outros poetas, num lugar lunático: no PLANETARIO da cidade de Pereira, interior da Colômbia.

Yes, baby. 

Tenho falado poesia em lugares  estranhos: na cabine de comando do  metrô de Santiago do Chile,

durante  o centenário de Neruda,  na Gruta da Lapinha,  em Minas Gerais,  num anfiteatro romano em Israel,

mas é a primeira vez  que isto me ocorre vendo estrelas. Ora, direis...


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