A caminho do aeroporto Santos Dummont converso com o chofer. Um amigo recebeu 5 multas do DETRAN, todas por não usar cinco. Detalhe: ele sempre usa cinto de segurança e nunca esteve naqueles lugares assinalados.
Ele foi saber como resolver. Deram várias sugestões. Recorrer, etc. Uma hipótese é que o carro foi clonado. Neste caso, sugerem, ele deve pedir a apreensão do veiculo.
Perplexo, ponderou: e se a policia me prender?
Por que no aeroporto Congonhas(SP) eles não conseguem indicar corretamente os portões de embarque para os passageiros? Chegam a trocar três vezes e os passageiros igual barata tonta daqui pra li. É sempre. Uma tortura.
Hipótese: ou tem alguém muito incompetente gerenciando isto ou estão fazendo uma experiência científica sobre como desorientar multidões até que tenham um ataque de nervos.
Abro a FOLHA DE SAO PAULO. Noticia sobre os 8 curadores da próxima Bienal (depois do fracasso da bienal do vazio). Dois são brasileiros, os outros importados( com currículo nessa área).
Vendo a foto tão arrumadinha deles (e as idéias idem) me convenço que aquilo é um time, um partido, uma religião, algo muito bem arrumado ( e arte não é assim).
Anoto o discurso que fazem. Detalhe: os curadores ( há muito) é que detêm a palavra, os artistas são seus funcionários. Quando os artistas vão se libertar dessa escravidão e humilhação?
Muita retórica. Muita pretensão. Diz um: É a abertura de novas frentes de pensamento.
Essa é a prática discursiva do que tem dado certo para iludir incautos. Já demonstrei isto em O ENIGMA VAZIO. A arte virou um artefato literário ( e disto,modestamente, eu entendo). Exemplo: um deles diz: Vamos emoldurar os intervalos de pesquisa. Bonito não? Ou essa outra preciosidade: Nossa idéia é que certa opacidade do discurso é fundamental.
Nesse tom falam de textura do político. Gostaram? E nisto tudo outra frase sintomática: dizem que querem criar um problema onde não havia.
Acho que é pior: estão criando problemas que não sabem nem podem resolver. Falsos problemas resolvidos com sofismas desmontáveis.
Fora isto, torço para que a Bienal dê certo.

