No meu site dei alguns exemplos de poesias minhas traduzidas para outras linguas. Às vezes ocorrem erros de digitação, etc. O leitor Diego Verissimo, a quem agradeço, apontou um deles. No poema ASSOMBROS, escrito há uns 20 anos, refiro-me a diversos tipos de terremotos- assunto infelizmente tão estremecedoramente atual. A tradução para o latim é da professora Ana Theresa Vieira. Mas onde se lia "notus" leia-se "motus": Aliquando, parvi magni terrae motus /Às vezes, pequenos grandes  terremotos ...

A propósito, já que outro dia publiquei aqui o texto O QUE (NÃO) É POESIA?  uma definição ( sempre parcial) de poesia seria: POESIA É UM TERREMOTO NA LINGUAGEM.

 

 

POEMAS EM LATIM E O ORGINAL EM PORTUGUÊS 

(trad. de Ana Theresa Vieira- in "Rotae Temporis"- 

EWd. Gilli,2001) 

 

 

 

ASSOMBROS 

 

Às vezes, pequenos grandes  terremotos 

ocorrem do lado  esquerdo do meu peito. 

 

Fora, não se dão conta os desatentos. 

 

Entre a aorta e a omoplata rolam 

alquebrados sentimentos. 

 

Entre as vértebras e as costelas 

há vários esmagamentos. 

 

Os mais íntimos  

já me viram remexendo escombros. 

Em mim há algo imóvel e soterrado 

em permanente assombro. 

 

 

 

ADMIRATIONES 

 

 

 Aliquando, parvi magni terrae motus 

occurrunt pectoris mei  sinistro latere. 

 

Floris, nihil percipiunt oscitantes. 

 

Inter aortam et scapulas volvunt 

debilitati sensus. 

 

Inter vertebras et costas 

diversae pressiones sunt. 

 

Familiores 

iam me viserunt ruinas remiscentem. 

In me aliquid immobile et brutum est 

in constante admiratione.