Ouça essa crônica sobre o problema da DOENÇA DO PODER e Chaves
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ou lei aqui o texto:
DOENÇA e PODER (RM/Affonso Romano de SantAnna-10.04.2012)
Dizem que o presidente da Venezuela vem cuidar de seu câncer no Brasi, porque o tratamento em Cuba foi um equívoco. Parece que ele está se despedindo da vida. O problema é que isso não é problema só para os venezuelanos. Não é só uma questão de governabilidade, de transição política, mas é também uma questão simbólica relevante.
Vivo ou morto, o corpo de um líder não lhe pertence. Portanto, fazem mal os que seguem o costume autoritário de esconder a doença de um líder. Isto ocorria na Rússia e na China. Estive na Rússia na semana em que o comunismo acabou, em 1991, e o cadáver de Lenin estava também se desintegrando num caixão no Kremlin.
O corpo morto ou enfermo dos líderes constitui um problema. (Pode ser também uma solução, é claro). Lembram-se da doença de Tancredo? O que fazer com o corpo do morto? Religiões e partidos políticos necessitam de cadáveres.
O corpo de Che Guevara, do qual cortaram as mãos, foi exibido como troféu na Bolívia. Getúlio Vargas matou-se deixando um cadáver enorme. Na Argentina, há poucos anos, a tragicômica circulação dos cadáveres de Peron e Evita parecia interminável. O túmulo de Perón foi profanado e roubaram suas mãos. Evita ficou embalsada no palácio presidencial. Recentemente, atentos à sacralização dos cadáreves os EUA o pulverizaram Bin Laden e o lançaram no oceano. Não esquecer que, a fama da Don Sebastião, rei de Portugal, veio de nunca terem achado o seu cadáver na batalha de Alcacer Quibir. Já o presidente Chavez do qual falamos a princípio, para se firmar no poder, mandou exumar o cadáver de Bolívar, fez uma encenação enorme. Ele era o novo Bolívar. Estava se exumando em vida, buscando eternidade no outro.
Agora Chavez vai de mal a pior. E nem ele nem os demais sabem o que fazer com seu corpo enfermo, embora vivo.
Na verdade o corpo do líder e o corpo da nação se confundem.
O pior é quando o corpo do lider fica enfermo, pois a nação também fica enferma, e aí, perdoem o trocadilho, é uma danação.


