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OBAMA E A POETA(crônica da 2a.feira) |
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Enviada por
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08:35 -
05/01/2009 |
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OBAMA E A POETA(*)
Affonso Romano de Sant\'Anna
Os Estados Unidos têm coisas chocantemente contraditórias como essa do indivíduo que no dia do Natal, vestido de Papai Noel invadiu a casa de seus familiares, foi atirando, incendiando tudo e acabou se matando; mas ao lado dessas coisas sinistras, é uma cultura que tem uma relação meiga com a poesia. Não sei quantas universidades têm o " poeta residente", lá qualquer poeta médiano pdoe viver só de recitar seus poemas e é possivelmente o país que dá mais bolsas de estudo para futuros poetas. Em síntese: apesar de ter esse exército terrivelmente destruidor que fica se metendo na vida de todos os povos, é o país em que tem a tradição convidar um poeta para falar um poema na posse do novo presidente.
Repito, isto é meigo. E remete para uma tradição milenar quando os poetas tinham uma função insubstituível na corte. Houve um tempo, na Irlanda, em que o poeta da corte tinha direito a usar uma vestimenta de seis cores (um luxo) e poderia no banquete sentar-se ao lado do rei e da rainha.
Os tempos mudaram, embora a poesia continue, renitentemente, a ter uma função desnorteante seja nas sociedades tribais seja nas industrializadíssimas. Agora, por exemplo, uma poeta negra de 46 anos- Elizabeth Alexander_ foi convidada para fazer um poema especialmente para a posse de Barak Obama, estar ali ao lado dele solemente declamando o texto, como antes dela, poetas famosos o fizeram em outras posses presidenciais.
Referindo-se a essa tradição, a imprensa americana lembrou por exemplo, o episódio ocorrido com Robert Frost, quando da posse de Kennedy em 1971. Kennedy vinha com aquela fama de reunir intelectuais no seu governo e convidou para a cerimônia de sua posse o poeta mais conhecido e reconhecido no país. Lá foi Robert Frost com seus cabelos brancos e seu carisma para ler o poema preparado. Mas aconteceu um imprevisto. Ventava muito e as folhas de papel escapavam de suas mãos. Diante disto, não teve outra alternativa senão falar um outro poema que sabia de memória.
Foi melhor assim, aliás, pois o poema que havia escrito era muito ruim, como atestam os primeiros versos divulgados que tinham rimas paupérrimas encadeadas tipo "participate/state/celebrate".
Essa coisa de ser " poeta laureado" tem disto: às vezes, mais láurea do que poesia. Depois daquele episódio Frost/ Kennedy, na posse de Jimmy Carter, o poeta convidado foi James Dickey. E quando Clinton assumiu o poder pela primeira vez em 1993, trouxe para falar poemas na tribuna nada mais nada menos que a carismática Maya Angelou. Já na segunda posse de Clinton (1997) o convidado foi Miller Williams. E chegamos agora à posse de Obama, com Elizabeth Alexander, que tendo nascido no Harlem, hoje leciona em Yale. Ela chega a esse posto de poeta laureada com uma certa intimidade com o poder, pois seu pai foi conselheiro para assuntos civis no governo de Lindon Johnson e trabalhou também para Jimmy Carter. Já sua mãe é professora e especialista em história de mulheres afro-americanas. Portanto, nada mais natural que a aproximação de Elizabeth com o poder se dê também no governo do afro-americano Obama.
Como se vê, os presidentes mencionados são todos democratas. É de se concluir que republicanos tipo Nixon e Bush não gostam de poesia.
Deu no que deu.
(*)Estado de Minas/Correio Braziliense 4.01.09
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PARIS-DIARIO DE VIAGEM- 6 |
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Enviada por
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09:42 -
07/01/2009 |
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&.É comum ouvir: em Paris basta você se assentar num café, e pronto, a vida passa diante de nossos olhos. Dizem isto também de Nova York. Quem diz isto `as vezes está justificando porque não precisa ir a museus, concertos, conferências, livrarias. E `as vezes mesmo as pessoas vidradas em cultura sentem vontade de se sentar, relaxar, até porque sempre se disse que é a arte que imita a vida.
&. Então tiramos o dia para não fazer nada. Ficar num café + jornais.
&.Banalidades turísticas.
Porém a história e a arte nos perseguem. Estou, por exemplo, no restaurante Le Procope. .jpg)
O nome vem acompanhado da data de fundação: 1686. Quer dizer: o Brasil estava se esforçando para se esboçar e neste restaurante, desde os tempos de Luiz XIV, artistas, políticos e intelectuais vinham cear e beber. Isto era uma casa de banho turco, e o M. Procope, de origem italiana, sacou que poderia fazer disto algo diferente. La Fontaine, Molière, Racine, Voltaire
( e os iluministas) andaram de empasinando por aqui i e dizem que até Benjamim Franklin aqui esteve.
Olho atrás de mim e vejo um chapéu numa vitrina. Digo brincando,é de Napoleão. Era. Olho para fora e na fachada do prédio do outro lado da rua está inscrito: Comédie Française Ancien Hotel Des comédiens ordinaires du roi 1689/1770. Isto é lembança daqueles tempos, razão porque a rua passou a se chamar rue de LAncienne Comédie .
Na entrada já esbarramos num retrato de Verlaine tomando seu absinto. Percorro o primeiro e segundo andares: fotos e documentos em todas os cantos e paredes. Até aquele espaço cercado de livros onde se pode também comer: é sempre mais familiar comer rodeado de livros. Não é de hoje que os franceses comem e cagam literatura.
Claro, a comida não é tão boa como no Restaurant des Présidents lá na rue de Dragon, mas aqui faz-se a digestão da história.
&. Não quero fazer nada, evito programas culturais, mas não tem jeito. De repente caímos, de novo, na rue Fustenberg, e como quem não quer fazer nada, vamos então visitar Delacroix, que está ali nos esperando desde o século 19. Um dos programas softs nessa cidade, aliás, é ver esses pequenos museus, a exposição com retratos de Van Dyck ou aquela casa de Victor Hugo que virou também museu.
Uma visita ao Museu Delacroix acaba com todo aquele blá-blá blá que repetem nos cursos de história da arte, de que a pintura entrou em crise coma descoberta da fotografia. Esta é uma das dez falácias da contemporaneidade. Delacroix a partir de 1850 sacou as virtudes não contraditórias da fotografia em relação `a pintura. E começou a pedir a seus amigos fotógrafos para registrarem nus de homens e mulheres, sobre os quais ele trabalhava. E também começou a fazer fotografar seus desenhos e trabalhos integralizando as artes. Exemplo disto é o Albun Durier com 32 fotos. Dizem que tão interessado estava na utilização das fotografias para seus desenhos e pinturas, que até carregou um álbum de fotografia para uma missa em 1854 e durante o ritual ficou desenhando e se exercitando com as fotos.
Essa integração da foto/artes plásticas está na reprodução de um tigre (Tigre en arrêt)- qualificada de gravure photographié. Amigo do famoso fotógrafo Nadar , Delacroix fez especialmente para a amante de Victor Hugo- Adele Hugo, a reprodução fotográfica de suas gravuras que aparecem no livro Profiis et grimaces.
Que bela e ampla casa e esse ateliê. Vivia bem esse Delacroix, que aliás era um bem nascido. Algo nesse ateliê me lembra o ateliê de Cézanne que visitei em Aix-en-Provence em 1982.
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PaRIS-DIARIO DE VIAGEM- 5 |
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Enviada por
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22:10 -
03/01/2009 |
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&. Estou saindo da Gallerie Lafayette, como faz todo mundo que vem a Paris, e em meio a multidão de fim de ano percebo um movimento insólito: centenas de policiais vêm abrindo caminho para uma enorme passeata pró Palestina,corpos e vozes erguendo bandeiras e gritando :Nous sommes tous palestiniens (Somos todos palestinos).
Vejo depois na televisão que manifestações semelhantes ocorreram nas várias capitais européias.
&.Aproveito e compro numa banca ali mesmo uma porção de jornais e revistas para saber do mundo. O jornal italiano La Repubblica publica um artigo assinado por várias autoridades internacionais sobre a crise em Gaza: EM GAZA ESTÁ EM JOGO A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO. O primeiro nome é do ex-presidente tcheco e autor de teatro Vaclav Havel, a seguir o Bispo Desmond Tutu, Hasan Bin Talal, Yohei Sasakawa e Karel Schwarzenberg .A tese deles é que te que haver um terceiro olhar sobre o conflito, caso contrário não terminará jamais.
&.Ironia da história. Leio que John Maynard Keynes está sendo considerado O homem do ano 2009. Detalhe ele morreu em1946. E foi com suas teorias que o presidente Roosevelt tirou os Estados Unidos do buraco na década de 30. Será que a história se repete? Diante dessa atual crise espetacularmente sinistra, os ensinamentos de Keynes estão sendo revividos. Ele achava, sendo o oposto dos comunistas, que o Estado deveria se meter em algumas coisas para regular a economia.
&. Não sei se vai passar no Brasil esse filme que acabo de ver-Il Divo de Paulo Sorrentino, que é uma magistral narrativa da figura ambígua que foi Giulio Andreoti, durante décadas figura exponencial que esteve de uma maneira ou outra envolvido com os grandes escândalos que incluíam a máfia, as Brigadas Vermelhas, a P-2 e assassinatos de várias personalidade.
Que filme genial! Aqui a estética do recorte e do fragmento organiza toda a narrativa em torno de uma figura que aparentemente não tinha carisma físico algum, mas que era uma raposa da política. Em matéria de frases de efeito, os políticos mineiros não passariam de amadores em comparação com ele.
Pensei que falta no Brasil um filme com esse vigor e inventividade sobre o suicídio de Vargas.
&. Nos diários anteriores falei de artes plásticas, de música, de teatro e literatura, e agora percebo que estou falando de política.
Ninguém é perfeito. Política também é cultura.
&. Enquanto isto o telescópio Hubble completa a maioridade, 19 anos, pois foi lançado em 1990. E continua nos espantando ao mandar imagens de outros sistemas solares semelhantes aos nossos também com vida, espero, mais inteligente .
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